Alberto da Costa e Silva, Brasil
A BILHA
Assim o barro, em tuas mãos pequenas e machucadas, ergue um vôo, povo: é um ai de terra, sem nenhum tormento, um ai de rir e flora, de macio coito de porcos, quase asa de garça, quase paina de jatobá, esta moringa aberta ao frescor que há no sol, charque, avoante, forma de prenha mulher, quartinha, pote.
Inverso estio moldas em terra e água, cor de palha e de mel, meu povo, sem distâncias de serras com que sonhas junto ao cacto, mas que entorna a noite de seu bojo.
Se o colas ao rosto, vêm as brisas dos regatos e à boca chegam barro e ondas de um rio que são choros de parto, breve esperar, sentido amor, memória da meninice em tuas mãos que moldam casa, banco, alguidar, bilros, cancela, anjos toscos, na fome de teu corpo.
De "Poemas dos Trinta Anos"
envio Carlos Machado, poesia.net
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Por lobitogabriel - 18 de Abril, 2007, 8:39, Categoría: poesia
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